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Caos e Organização na Saúde: cuidados paliativos

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Cicely Saunders nasceu em 1918. Em 1967 ? já graduada em enfermagem, assistência social e medicina – fundou o St. Christopher´s Hospice, o primeiro serviço a oferecer cuidado integral ao paciente, desde o controle de sintomas, alívio da dor e do sofrimento psicológico. Nos últimos dias, em Porto Alegre, uma senhora de 58 anos, com câncer, procurou a emergência da maior rede pública de saúde do sul do país, devido a dor. Ficou dias sendo atendida em condições inequivocamente inadequadas, inclusive sendo medicada sentada em uma cadeira e dormindo no chão. A paciente faleceu em situação que deixaria Saunders atormentada. Isso ocorre por vários motivos e ocorre em todo país todos os dias. A superlotação de hospitais é assunto recorrente nas manchetes dos jornais todo ano. O overbooking da saúde também é, inclusive, problema na saúde privada. Sabemos que inexiste estrutura instalada apta a contemplar necessidade de uma população que envelhece e, quando doente, convive mais tempo com suas enfermidades. Todos estes itens fazem o problema parecer intratável. Os norteamericanos Thomas Lee e James Morgan ? médicos e executivos da saúde – são menos pessimistas e escreveram o livro Chaos and Organization in Health Care (algo como o Caos e a Organização nos Cuidados de Saúde) que sustenta que o quadro atual é decorrência do caos e, portanto, a solução está na organização. Faz sentido. A literatura médica assinala sistematicamente que uma das causas de superlotação é o tempo de internação prolongado ? o que está diretamente relacionando a baixa efetividade organizacional. A falta de agilidade, por sua vez, tem correlação linear com piora prognóstica. Investir em educação e modelos gerenciais sofisticados, portanto, são a primeira maneira de corrigir o problema.

Infelizmente, no Brasil são raros os serviços formais de cuidados paliativos. Ainda menor é o número daqueles que oferecem atenção sustentada em rotinas cientificamente avaliadas e critérios de qualidade supervisionados. Não temos, tampouco, formação de médicos e profissionais de saúde em cuidados paliativos, fundamental para atendimento ideal. A graduação médica pouco ensina como lidar com o paciente em fase terminal, como manejar os sintomas e como gerenciar esta situação de forma pró ativa e humanizada. Até hoje, famílias ouvem a frase ?não há mais nada a fazer?. A médica inglesa sempre refutava: ?ainda há muito a fazer?.

Cicely Saunders faleceu em 2005, em paz, sendo cuidada no St. Christopher´s.

 

PS.  Perdão pela pequena digressão temática… mas o tema é muito importante e, quando se fala de economia de saúde, gastar BEM  também deve ser pautado….

 

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