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Bode e a saúde

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Por pior que pareçam os problemas, quando se coloca um bode na sala, o cenário fica caótico. Tire o bode ? mesmo que mantenham os mesmos problemas que existiam antes ? tudo parece melhor. Seus pressupostos teóricos apontam para uma razão simples: o impressionismo. Ele procura disseminar naqueles com quem ela entra em contato, a certeza de que vivia melhor do que achava que vivia. É uma filosofia embasada em experimentos concretos e indiscutíveis em resultados. Houve um debate sobre aumentar o curso de medicina por mais 2 anos, além dos 6 já existentes… parece ser o bode a sala. As mudanças foram propostas, inclusive, alegando que este período adicional “humanizaria ” o futuro médico. Tremendo equivoco. Humanização não se aprende na faculdade – se aprende muito antes disso ? alias, se aprende no berço.

Atualmente 100% dos estudantes de medicina já atendem pacientes do SUS. Ao se formar, sendo aprovado para uma vaga de residência médica (quando fará sua especialização) atende por 2 a 5 anos pacientes do SUS. Atualmente, em torno de 70% dos médicos já atende pacientes do SUS. Esta conversa sobre alongar o curso de medicina só afasta o foco do real debate: o sistema público precisa de investimento compatível com a necessidade técnico científica da medicina, comparável a países com características similares.

Os menos de 5% de recursos para o sistema público de saúde colocam o Brasil em desconfortável ultimo lugar dos BRIC e atrás da Argentina e Chile. O governo recuou na idéia de mudar o currículo médico, após ser aconselhado por comissão de especialistas. Na próxima vez podiam se aconselhar antes de fazer alarde sobre uma medida barulhenta e inócua.

Agora, o governo passa a defender que a residência médica se torne obrigatória, já em 2018, ao final dos seis anos da graduação. Nada disso resolve o problema real de gestão de subfinanciamento que vivemos. Não há problema em termos “mais médicos”, mas precisamos de ?mais recursos?, ?melhor gestão?.

PS. o texto acima é o editorial do Jornal Brasileiro de Economia da Saúde, que escrevi para o próximo número. Agradeço divulgação e contribuição de todos!

 

 

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