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Aumentando o Faturamento – Parte 2

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Outra ação da maior importância para aumentar o faturamento hospitalar é a padronizar da forma adequada os lançamentos do que se deve cobrar e, por mais dificuldade que possa haver nisso, cobrar de alguém.

Começando com a questão da padronização: afirmar que é necessário padronizar o que se deve cobrar não quer dizer nada ? afirmar que é necessário padronizar de forma adequada é muito diferente.

É fácil entender porque se perde tanta receita em lançamentos de hospitais quando simulamos ter que fazer o que pedimos para profissionais assistenciais. Vamos dar um exemplo prático.

É comum ver notas de débito espalhadas pelo hospital para que a enfermagem anote ?tintim por tintim? tudo que foi usado no procedimento, não é ?

Cada agulha, cada seringa, cada bolinha de algodão, cada taxa … afinal se juntarmos todos estes insumos mesmo de pequeno valor vamos chegar a uma receita significativa.

Mas isso não é adequado … é catastrófico.

Imagine se você pedisse para um auxiliar de contabilidade anotar em uma folha o quanto de tinta gastou para escrever, quantas folhas de papel utilizou para fazer os memorandos, quanto tempo a luz ficou acesa … é isso que se pede para a enfermagem quando se trabalha com notas de débito !

O auxiliar de contabilidade saberá lhe dizer com muita precisão quantos memorandos produziu, mas vai ter dificuldade para informar quanto gastou com insumos para isso.

Com a enfermagem é a mesma coisa: ela quantifica com facilidade os procedimentos realizados, mas evidentemente a informação do insumo gasto sempre vai ser trabalhosa e imprecisa … e quanto mais trabalhosa, maior a chance de existir uma boa razão para deixar de ser feita.

Este exemplo dos procedimentos de enfermagem serve para todos os profissionais assistenciais: o médico, a fisioterapia, a nutrição …

Padronizar da forma adequada é abandonar ao máximo as notas de débito onde se anota o que foi utilizado, e passar a utilizar check-lists onde se anota o que foi feito. E o check-list deve ser automatizado de modo que a partir do que foi feito um padrão de cobrança (ou kit) associado define o que se deve cobrar.

As vantagens são inúmeras:

 

  • O profissional que faz o apontamento domina o que deve ser apontado ?a enfermagem aponta com rapidez e precisão que fez um curativo, mas demora e erra se tiver que apontar cada insumo utilizado no curativo;
  • O profissional que faz o apontamento passa a não se preocupar com o que pode ou não ser cobrado dependendo do tipo de paciente (SUS ou não SUS) ou da cobertura de cada plano contratado;
  • As contas saem mais limpas ? acabam as variações de lançamento nas contas dependendo de quem fez o apontamento;
  • Como os critérios de lançamento são padronizados o processo de discussão entre auditores internos e externos acontece com baixo nível de stress.

E não se esquece de cobrar nada, por isso o aumento da receita !

A segunda questão, relacionada ao padrão, é: se foi utilizado tem que ser cobrado de alguém.

Faz parte do passado ter que aturar um auditor de operadora, que pode ser remunerado por comissão do que glosa, dizendo que não vai pagar determinado insumo ou taxa !

Se o procedimento está baseado em protocolo (no caso de procedimento médico) ou de POP (no caso de procedimento de outros profissionais assistenciais) o que se utiliza tem que ser cobrado ? a não ser que seus protocolos e POPs estejam errados.

Ou seus profissionais não sabem trabalhar (aposto 10 contra 1 que não é o caso) ou a operadora está explorando o hospital (também aposto 10 contra 1 que na maioria das vezes não é o caso) ou o auditor externo não está atuando da forma correta (e para o hospital não interessa a razão).

Não conheço uma única lei que defina que o hospital deve arcar com custos não remunerados pela operadora. Se você está cobrando o que é certo, ou seja, se você não está apresentando conta com erro, e a operadora não quer pagar algo que é correto cobrar … deve-se cobrar do paciente.

Vamos deixar algumas coisas claras antes de prosseguir:

  • 1º o paciente deve ser adequadamente notificado que poderá ser cobrado caso sua operadora se negue a pagar determinada despesa;
  • 2º a despesa sempre deve ser apresentada para a operadora antes de ser apresentada ao paciente, a não ser nos casos em que haja previsão contratual explícita de não cobertura.

Posto isso, cobrar do paciente não tem nada de ilegal ? é direito de qualquer fornecedor cobrar do seu cliente aquilo que é devido.

Estou no mercado vivenciando esta briga a tempo suficiente para garantir:

  • Operadoras idôneas que percebem que o hospital está agindo de forma mais firme em relação aos seus direitos não tentam punir seu prestador ? ajustam seu quadro de auditores;
  • Operadoras que não são idôneas e tentam jogar o paciente contra o hospital só têm perdido as ações que chegam ao judiciário. Porque também passou a época em que o paciente não sabia que o judiciário está atendo às más práticas de alguns oportunistas.

Testemunho: era diretor de serviço em um dos hospitais privados mais famosos do Brasil quando uma das maiores operadoras do mercado pressionou nosso hospital com o descredenciamento, por um assunto que tinha a ver com este (a maioria das pessoas que estão lendo sabe qual o hospital e qual a operadora).

Aprendi uma grande lição com meu chefe na época que demonstrou firmeza e aceitou o descredenciamento. A maior parte do mercado achou que o hospital perdeu muito com isso.

Bem … até hoje o hospital continua atendendo muitos clientes desta operadora, cobrando pela tabela particular (que todos sabemos que é mais cara que as de convênios) e a operadora acaba pagando mais por isso nos reembolsos.

Ficou esta lição ? o rompimento com a operadora aumentou o faturamento e até hoje não existe nenhum motivo para o hospital voltar a credenciar a operadora.

E nenhuma outra quis fazer a mesma coisa !!!

É necessário concluir com duas observações:

  • Quando citamos notas de débito não damos exclusividade ao papel – existem diversos sistemas que informatizam a nota de débito mas o conceito de lançamento é o mesmo do papel – até mais danoso que o papel, porque acaba, ajudando a multiplicar o erro;
  • Se não tiver sistema para automatizar o check-list é possível implanta-lo com auxílio de planilhas eletronicas – parte do que foi feito no InCor foi assim, estou pessoalmente em projeto em outro hospital trabalhando assim, e posso garantir que a falta de sistema nunca foi e nunca será impeditivo para padronizar lançamentos em hospitais – quando se quer resolver o problema o sistema, ou falta de sistema não é desculpa aceitável.
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