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Até quando a saúde ocupacional e a promoção da saúde vão ficar em ?silos?.

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O recente posicionamento  do Comitê de Saúde e Produtividade do American College of Occupational and Environmental Medicine (ACOEM) publicado no JOEM em setembro de 2011 aponta para um novo caminho para um ambiente de trabalho mais seguro e saudável.

Tradicionalmente, as atividades de proteção e promoção da saúde são operadas independentemente uma das outras nas empresas, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Neste contexto, a proteção à saúde usualmente é vista como as atividades que protegem os trabalhadores de riscos ocupacionais e doenças ligadas ao trabalho que vão de treinamentos de segurança ao uso de EPIs, organização do trabalho e modificações ergonômicas e a  promoção da saúde, por outro lado, engloba as atividades que mantêm ou melhoram o nível de saúde que envolvem as avaliações de risco, ações em qualidade de vida e vacinações. Pesquisas demonstraram que a integração entre saúde e segurança no trabalho e a promoção da saúde criam sinergia e traz resultados mais efetivos. Neste contexto, podemos afirmar que o todo é maior que a soma das partes.

De acordo com o documento, as atividades podem ser diversificadas e ter diferentes objetivos, por exemplo, avaliar o estado de saúde do trabalhador, identificar os fatores de risco individuais, reconhecer e tratar as lesões associadas ao trabalho, realizar iniciativas para aumentar a segurança no trabalho, criar culturas de segurança e saúde, prevenir lesões e acidentes, ações de retorno ao trabalho e readaptação funcional, planos de emergência e iniciativas de mudança de comportamento e ambiente saudável.  Todas estas ações, aparentemente com  abordagens diferentes,  buscam a mesma coisa: promover a saúde integral e prevenir lesões e doenças no ambiente de trabalho.

O cenário corporativo torna imperativa a integração, pois todos os gestores de saúde constatam o aumento das doenças crônicas, o impacto do absenteísmo e afastamentos prolongados, a prevalência crescente de fatores de risco ligados ao estilo de vida (como obesidade, sedentarismo, má alimentação e uso abusivo do álcool) e os custos dos acidentes do trabalho.

Apesar das empresas, lentamente, começarem a reconhecer a importância estratégica da saúde para os negócios, são raras as organizações que possuem programas amplos, integrados e sinérgicos.  As áreas de saúde ocupacional são isoladas dos setores de promoção da saúde e qualidade de vida e, frequentemente, não têm nenhuma conexão com a gestão do plano de saúde que pode ficar com a área de benefícios. Não se conhecem os custos totais, as estratégias são diversas e, às vezes, conflitantes e a efetividade baixa. O Comitê propõe que:  ?Uma força de trabalho mais saudável pode ser uma força de trabalho mais segura e uma força de trabalho mais segura pode ser uma força de trabalho mais saudável?.

No Brasil, praticamente não há pesquisas e publicações neste campo e não observamos um movimento das entidades ligadas a estes campos para buscar sinergias, realizar pesquisas nacionais ou elaborar guias e manuais de gestão integrada em saúde ocupacional e promoção da saúde. Sem dúvida, um grande desafio para os profissionais e empresas brasileiras pois a globalização e as mudanças no mundo do trabalho exigirão, cada vez mais, trabalhadores saudáveis, produtivos e com boa qualidade de vida.

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