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As autogestões de saúde são alternativas viáveis no Brasil ?

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No final do ano passado, a UNIDAS (União das Instituições de Auto-Gestão em Saúde) publicou os resultados de sua pesquisa anual, na 13.a edição, realizada pelo CPES (Centro Paulista de Economia da Saúde) da UNIFESP com a participação de 74 entidades representando uma amostra de 340 planos, ou 74% do universo de beneficiários da autogestão no Brasil (quase 4 milhões de beneficiários).  Atualmente a autogestão responde por cerca de 10% do total de usuários de planos de saúde em nosso país.

A pesquisa constatou que 20% da população tem 60 anos ou mais e 4,5% tem mais de 80 anos. Estes dados demonstram que o segmento de autogestão é o que possui maior proporção de idosos ressaltando a importância dos programas de promoção de saúde e prevenção de doenças. Cerca de 55% do custeio do plano é feito pela empresa e 84,5% utilizam a co-participação em eventos com principal mecanismo de regulação.

O custo médio anual da assistência médico-hospitalar foi aproximadamente de R$ 2.500,00 e  não se observaram mudanças significativas nos indicadores de consultas e exames por beneficiário/ano, tempo médio de permanência e taxa de internação. Ressalte-se que mais de 60% dos beneficiários ativos utilizam acomodação em apartamento nas internações. O histórico papel social das autogestões é confirmada pela informação de que 90% das empresas oferece cobertura para aposentados e 80% para agregados.

Observamos um grande movimento de concentração no mercado da saúde no Brasil, com operadoras, hospitais, centros diagnósticos sendo controlados por grupos financeiros importantes. Neste contexto, é cada vez mais imperativo que as empresas passem, cada vez mais, a inserir a saúde como um elemento estratégico em suas organizações, incluindo-a em seu planejamento e não relegando a saúde como uma despesa a ser gerida pelo setor de benefícios. A saúde não seria um produto a ser consumido, mas um valor a ser cultivado. Assim, a gestão integrada entre a assistência médico-hospitalar e a saúde e segurança no trabalho é fundamental. Estudos internacionais demonstram que há muitos pontos de sinergia entre estas áreas e os resultados são maximizados quando estes silos são quebrados. Muitos fatores que determinam o aumento da sinistralidade são também os associados ao absenteísmo e presenteísmo.

Neste cenário, as autogestões em saúde assumem um papel privilegiado. Elas se constituem em terreno fértil para a integração estratégica entre as suas patrocinadoras e as ações assistenciais e potencialmente podem incluir suas áreas de saúde ocupacional, promoção da saúde e qualidade de vida.

Naturalmente, os desafios são enormes e conhecidos. A falta de escala em relação a número de beneficiários, o envelhecimento do universo de beneficiários e a conseqüente elevação dos custos assistenciais, a dificuldade para verticalização nos serviços e a restrição nos aportes financeiros dos patrocinadores são alguns deles.

Mas, esta modalidade de assistência deve ser especialmente incentivada e promovida para fortalecer princípios como a promoção da saúde, os modelos assistenciais que privilegiam a atenção primária e o posicionamento do paciente no centro do processo de assistência à saúde.

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