Referências da Saúde Quem foram os premiados da edição 2016? Confira agora

Apreendendo com o movimento norte-americano de médicos hospitalistas para um 2012 de realizações.

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Sou cada vez mais convicto de que somente uma mudança de postura de todos os envolvidos em fazer Saúde (inclusive dos médicos!) poderá melhorar a situação enfrentada no Brasil. Devemos buscar motivação e conhecimento para ajudar o sistema e beneficiar seus mais diversos integrantes, negociando para que sucesso respingue nos médicos que forem protagonistas, na forma de recompensas.

É verdade que estamos entre os mais prejudicados por este sistema como está, mas será que somente reivindicar direitos está efetivamente ajudando a categoria? O que parece uma ideia que nos consumiria mais tempo e energia, sem muita perspectiva concreta de ganho imediato, talvez seja a única saída, pelo menos até mudanças mais amplas e profundas em nossos modelos de remuneração.

Nos EUA, onde não há sindicato médico como estamos acostumados, a Medicina Hospitalar tem gerado mercado de trabalho interessante para médicos generalistas, com incrementos anuais de remuneração e boa relação entre ganho financeiro e qualidade de vida. Veja alguns outros resultados proporcionados pela MH, e que traduzem uma relação de alinhamento entre interesses que, em nosso meio, estão cada vez mais dissociados:

Na edição de setembro do The Hospitalist, cobriram iniciativa do Mount Sinai Medical Center, de Nova York, onde, ao organizarem uma equipe multidisciplinar, liderada por geriatra-hospitalista, com vistas à atenção hospitalar diferenciada de idosos, foram capazes de reduzir o tempo de internação em 1,6 dias e os custos por paciente em, aproximadamente, $5,000. Saiba mais.

Já na edição de outubro, ilustraram, através de experiência multidisciplinar de pessoal do Wayne Memorial Hospital, liderada por hospitalistas, em um pequeno hospital de área rural, ou do case da Johns Hopkins Bayview Medical Center’s Hospital Medicine Division, como o gerenciamento agressivo de leitos pode ajudar. Se construir novos leitos é muito caro, “criar” leitos da forma apresentada pode até gerar receitas, sem as despesas com espaço, infraestrutura e tecnologia. Outra grande vantagem do gerenciamento agressivo de leitos, e que teria enorme impacto em nosso meio, seria reduzir o número de pacientes “estacionados” nas salas de emergência. Conheça mais.

No Rio Grande do Sul, não se escuta outra sugestão das entidades médicas para a crise das emergências além da abertura de novos leitos ou construção de novos hospitais. O Institute for Healthcare Optimization, nos EUA, recentemente publicou:

For hospitals, a traditional response to this increased demand might be to add resources, such as more staff and beds. We argue that such actions would be unaffordable and unnecessary. Research has demonstrated that large gains in efficiency can be made through streamlining patient flow and redesigning care processes. We argue that once managed efficiently, US hospitals, on average, could achieve at least an 80-90 percent bed occupancy rate – at least 15 percent higher than the current level – without adding beds at capital costs of approximately $1 million per bed.

Considerar eficiência em nosso sistema como algo necessário tornaria a solução mais complexa e desafiadora, e traria consigo encargos e desafios para os médicos também. Aceitando a premissa [verdadeira] de que precisamos de mais leitos, questiono: Estamos realmente satisfeitos com o tempo de internação naqueles já existentes? Se a resposta for negativa, não haverá escolha: Como também fazer parte da solução?

No congresso anual da Society of Hospital Medicine ocorrido em Dallas, 2011, houve apresentação de trabalho intitulado “Improvement in Emergency Department Treatment Capacity: A Health System Integration Approach”, onde transferiam pacientes “estacionados” em emergência para outro hospital do mesmo grupo. Tendo o serviço de MH no hospital “receptor” como instrumento facilitador, os resultados foram bastante significativos. Saiba mais.

Para reproduzir estas e outras iniciativas semelhantes, precisaremos fazer melhor “quality improvement” (desafio: capacitação profissional). E será necessário modificar o “jeito médico” de negociar: aceitar avaliações de desempenho e reivindicar junto às fontes pagadoras com base em resultados ou, pelo menos, em bons projetos (desafio: acertar o tom).

E onde não funcionar? Bom, aí, então, restaria como alternativa ativar a velha estratégia tipo “manual de sobrevivência do casamento disfuncional”. Mas atenção: o desgaste não compensa para quem pode mais. Talvez tenhamos que aprender a abandonar certas organizações, e vice-versa.

Feliz 2012!

A Medicina Hospitalar pode ajudar! Tem trazido exemplos variados de cases de sucesso através de posturas médicas inovadoras. E ensinamentos da MH devem servir para não-hospitalistas também.

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