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App criado por brasileiro revoluciona consumo de produtos de saúde

Créditos: inteligência artificial - shutterstock
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Tudo faz crer que o muro que separa a ficção de nossas vidas no aqui e agora vai virar pó muito antes das previsões dos mais famosos visionários e futurólogos, Que o diga a realidade aumentada (RA), tecnologia que permite ter no ambiente digital uma visão cada vez mais “real” de pessoas, objetos e cenas do cotidiano.

Atualmente essa poderosa experiência está ao alcance de muitos. Basta baixar no smartphone ou tablet determinados aplicativos ou fazer uso de gadgets, como os óculos inteligentes, para interagir com simulações em 3D.

Para ter uma ideia, hoje a RA é amplamente usada pela indústria de games e deslancha nos procedimentos cirúrgicos, na publicidade, arquitetura, engenharia e no setor automobilístico. O grande desafio é torná-la mais acessível para outras aplicações.

O engenheiro de softvare Edilson Osorio Junior topou a empreitada. Fundador e CEO do marketplace Daruni Healthcare, ele acaba de lançar o primeiro app mobile genuinamente brasileiro de RA para o e-commerce de produtos de saúde e condicionamento físico.

Gap preenchido, sinal verde para bons negócios

O app denominado Daruni Healthcare Catálogo 3D roda em smartphones Android versão 2.3 ou superior. Futuramente será ampliado para outras plataformas, como iOS e Windows Phone.

Impressiona a qualidade das imagens e a apresentação dinâmica dos produtos aos usuários. O app também pode diminuir o índice de devoluções e preencher um gap no comércio eletrônico ao trazer a segurança que atuais e novos empreendedores precisam para vender os mais diversos itens, produtos que os clientes precisam ver nos mínimos detalhes, como se estivessem observando-os ao vivo, para tomar a decisão de comprá-los.

Saúde Business – O que levou você a desenvolver esse app para o e-commerce de produtos de saúde?

Edilson Osorio Junior – Diariamente recebíamos inúmeras ligações de clientes que, antes de efetuar uma compra, manifestavam o desejo de ver mais detalhes dos produtos que comercializamos no portal terceira idade. Essa não é uma realidade restrita à nossa loja virtual, mas a muitas outras de diferentes segmentos. Nós não possuímos uma loja física, nem pretendemos por conta dos custos que envolve. Então, pensando em formas eficientes de levar o produto até a casa do cliente, nós resolvemos utilizar a realidade aumentada. Assim o usuário pode “ver” o produto e todas as suas características, melhorar a confiança na loja e, consequentemente, aumentar o interesse e chance de converter a experiência em aquisição do item.

SB – Quanto tempo e investimento o app exigiu para ser desenvolvido?

EOJ – Desenvolvemos o app em aproximadamente um mês e meio. Tivemos de contratar artistas 3D para modelar os produtos de maneira que ficassem muito próximos da realidade. Com esses artistas firmamos uma parceria desde o desenvolvimento do protótipo porque todos cremos que poderemos ganhar muito mais posteriormente. Por isso o investimento foi relativamente baixo.

SB – Que benefícios o app pode proporcionar ao dono do site de compras e ao consumidor final?

EOJ – Nós focamos muito na experiência do consumidor, sem custo para ele. Ele não precisa, por exemplo, adquirir um novo gadget, pois utiliza o seu próprio smartphone ou tablet para a visualização dos produtos. Todos que experimentaram nossa tecnologia ficaram impressionados com a qualidade das imagens e a forma como o produto é apresentado. O principal benefício é que o cliente realmente pode examinar o produto em todos os seus detalhes, sem sair de casa e assim facilitar sua tomada de decisão sobre a aquisição do mesmo.

SB – O setor de venda de produtos para saúde será o primeiro beneficiário?

EOJ – Sim, pois esse é um mercado em que o cliente precisa ver em detalhes o produto antes de comprá-lo. É diferente de quando se escolhe um livro ou DVD.

SB – Que outras aplicações sua tecnologia pode alcançar na área de saúde?

EOJ – Por exemplo: um médico poderá fazer um rápido estudo antes de começar uma cirurgia, posicionando o app sobre o corpo do paciente, vendo exatamente sua estrutura interna antes de iniciar os procedimentos. E caso restem dúvidas, remotamente pode acionar outros médicos para acompanhar a cirurgia e indicar os locais de incisão, estando eles em qualquer lugar do planeta.

SB – Seu app trará benefícios para outros segmentos de produtos ou serviços?

EOJ – O mercado imobiliário e de design e arquitetura podem se beneficiar muito de nossa tecnologia. Quer um exemplo? Imagine você escolher um vaso e vê-lo exatamente no local onde deseja colocá-lo ou então decidir qual quadro ficará melhor na parede da sua casa. Nossa tecnologia torna isso possível.

SB – Seu app pode ajudar a vender mais produtos para a saúde?

EOJ – Com toda a certeza, pois todos os feedbacks que recebemos foram positivos e as pessoas ficaram impressionadas com a experiência com os produtos por meio do app. Mas como o lançamento é muito recente, ainda estamos testando o aplicativo para avaliar as diversas possibilidades no mercado.

SB – A realidade ampliada pode ajudar a diminuir os pedidos de devolução dos consumidores, relativamente altos no comércio eletrônico?

EOJ – Uma das principais fragilidades da venda online é que o cliente pode não se adaptar ao produto e desejar devolvê-lo. A principal causa é justamente o fato de ele não ter tido a oportunidade de examinar o item em todos os seus detalhes, texturas etc. Nosso app cobre esse gap e pode aumentar a lucratividade, assim como trazer para o mercado virtual empreendedores cujas lojas não saíram do papel porque eles ainda têm receio de vender determinados tipos de produtos.

SB – Sua tecnologia já pode ser usada por outros empreendedores?

EOJ – Nós ainda estamos modelando nossa startup. Uma das possibilidades será o desenvolvimento de apps para empresas que queiram ter seu catálogo de produtos no formato da realidade aumentada. Muito provavelmente vamos evoluir para uma plataforma de marketplace.

SB – Sua tecnologia será acessível para micro e pequenos empresários?

EOJ – Eu gostaria muito de chegar em um modelo que possa ser acessível para todas as empresas. Entendo que a tecnologia é mais importante para o microempresário, pois ele tem mais dificuldade em vender seus produtos online. Com certeza continuaremos olhando para todas as possibilidades que possam democratizar o uso de nossa tecnologia.

SB – Antes você já havia desenvolvido alguma tecnologia para uso online ou negócios com DNA inovador?

EOJ – Eu já tive mais de uma dezena de negócios e diversas empresas. Em 2003/2004 desenvolvi em co-autoria com meu irmão o primeiro software para casas noturnas, bares e restaurantes em Linux, com biometria por impressão digital em ambiente de alta rotatividade. Esse software se tornou referência nas casas noturnas. De uns anos para cá resolvi me dedicar exclusivamente ao público da terceira idade. Desenvolvi o protótipo de um dispositivo para detectar automaticamente a queda de idosos, mas como ainda é difícil a captação de investimentos para hardware no Brasil, resolvi atuar para esse segmento etário de outra maneira. Depois de estudar as necessidades desse mercado, percebi que o fornecimento de produtos era feito de maneira muito amadora. Então, utilizando minha expertise em tecnologia aliada à organização de processos e capacidade operacional de minha esposa, resolvemos montar o marketplace Daruni Healthcare, com loja virtual, portal de notícias e portal de empregos com foco nas pessoas maduras.

SB – Quais suas projeções de faturamento?

EOJ – Esse ponto realmente depende dos rumos que a empresa vai tomar, mas acredito que seja muito fácil fechar o primeiro ano muito próximo de R$ 1 milhão de reais.

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