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Temos assistido à enorme pirotecnia e vultuosos investimentos publicitários em torno do Programa ?Mais Médicos? pelo governo federal, além de muitos equívocos e posturas incorretas dos médicos e de suas entidades representativas.

Estas condições trouxeram um ambiente passional dificultando uma visão ampla da questão da saúde em nosso país. Vale a pena realizar um recorte sobre um item para facilitar a discussão sobre o tema.

O câncer feminino se constitui na principal causa de morte entre os 20 e 49 anos de idade, atingindo um quarto de todos os óbitos nesta faixa etária, de acordo com dados nacionais do DATASUS. Neste contexto, se destacam o câncer de mama e de colo do útero.

Recente publicação da revista Lancet  (Lancet Oncol., 2013; 14: 391?436)sobre a questão do câncer na América Latina destaca que apesar da incidência no continente (163/100.000 habitantes) ser menor que na Europa (264/100.000) ou nos Estados Unidos (300/100.000) a mortalidade é maior. A publicação ressalta que  enquanto nos Estados Unidos 60% dos cânceres de mamas são diagnosticados precocemente, apenas 20% o são no Brasil. Além disso, a revisão destaca que os centros oncológicos estão concentrados em poucas regiões e há desigualdade no acesso a tratamentos efetivos. A publicação destaca que a maioria das pacientes com câncer de mama recebem tratamento de primeira geração (ciclofosfamida, metotrexate e fluoracil) na rede pública em comparação com menos de um terço na rede privada. Para a abordagem de questões como esta não bastam médicos bem intencionados, seja de que nacionalidade for.

Certamente, fatos como estes tem como base o subfinanciamento público da saúde e problemas de gestão. Apesar do investimento de cerca de 9% do PIB em saúde, cerca de 53% deste montante é do setor privado, sendo que o investimento público representa 40% dos gastos totais de saúde atendendo 75% da população. Por exemplo, no Reino Unido 75% dos gastos em saúde são de fontes públicas.

Com relação ao objeto deste blog (Saúde Corporativa), o impacto das doenças crônicas em pessoas que estão no pico da fase produtiva traz grandes repercussões. As empresas sofrem com o aumento das faltas ao trabalho, perda de produtividade, dificuldades de reposição de pessoal, além dos custos tributários e previdenciários com os afastamentos prolongados. As empresas que oferecem planos privados de saúde acabam sendo duplamente penalizadas pois também têm que arcar os custos crescentes da assistência médica.

Deste modo, fica claro que a questão da saúde deve ser discutida, cada vez mais, no âmbito empresarial e corporativo e não se trata de tema apenas corporativista (envolvendo médicos e profissionais de saúde) ou dos governos.

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