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Amit Goswami, Gil Giardelli e essa tal de tecnologia

Créditos: Bruno Cavini/ Foto do robô Nao, apresentado durante o Saúde Business Forum
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Certa vez, ouvi do filósofo Mario Sérgio Cortella que nem todo evoluir é positivo, pois o verbo também pode ser empregado na frase “o paciente evoluiu para óbito”. A frase foi marcante, pois sempre procuro refletir sobre o quão real é esta nossa evolução como ser humano e o quanto a tecnologia, esta área tão aclamada do nosso admirável mundo novo, tem a ver com isso tudo.

Os discursos sobre as transformações que a tecnologia traz e ainda trará, na maioria das vezes, reúnem frases do tipo “a tecnologia é ruim e desumaniza” ou “ela é a única saída para a inovação”. Acredito que é verdade. Mas também acredito que não há apenas uma verdade.

Os dois keynotes do Saúde Business Forum deste ano, o físico indiano Amit Goswami e o professor Gil Giardelli mostraram como é indiscutível os benefícios desfrutados por essa transformação tecnológica. Mas, ao mesmo tempo, enfatizaram como ela pode nos afastar de uma das coisas mais preciosas que temos, o nosso “ser” humano.

Keynote - Amit Goswami

Keynote – Amit Goswami

Para o físico, a medicina convencional composta de muitos avanços tecnológicos, é infalível na cura de doenças advindas de bactérias e vírus, mas ao analisar doenças crônicas, na maioria das vezes, a causa não é atacada no tratamento. Goswami acredita que o fator mental e a consciência do paciente são definitivas para tratar o mal crônico.

Giardelli, que abordou todas as maravilhas possíveis que a tecnologia é capaz de transformar e também destruir, usou até um robô em sua apresentação e não deixou de lembrar que estamos vivendo uma infância digital, pois ainda é necessário amadurecimento para usar a tecnologia ao nosso favor.

Keynote - Gil Giardelli - expert em cultura digital

Keynote – Gil Giardelli – expert em cultura digital

Ambos ativistas, um na física quântica e outro na web, concordam quando o assunto é tornar o relacionamento mais humano. Goswami enfatizou que precisamos nos libertar do materialismo, que é necessário deixar de enxergar o corpo humano apenas como uma máquina. Giardelli acredita que apesar de toda a força de conceitos como o big data, não podemos transformar cada ser humano em um número e que a revolução acontecerá quando colocarmos as pessoas no centro de tudo.

Eu concordo com ambos e acredito que tecnologia alguma adiantará se não nos entendermos como pessoas, como cidadãos e como uma sociedade que quer se transformar, fazer mais e melhor, pois como citou Giardelli: “A evolução tecnológica sem a evolução moral não significa nada”.

 

Este artigo foi originalmente publicado na revista Saúde Business, que acaba de “sair do forno”.  Para acessá-la e ler as entrevistas completas com Goswami e Giardelli , clique aqui. 
Nesta edição também trazemos um especial sobre os 15 anos da Agência Nacional da Saúde Suplementar, que discute entre outros assuntos o modelo de remuneração no setor de saúde, e a cobertura completa do Saúde Business Forum.  

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