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A TI tem tornado difícil a saúde?

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O artigo de hoje é uma provocação à contribuição e críticas de meus amigos leitores, pois no dia 1º de Outubro a IT Mídia vai promover um debate sobre o tema: O que um hospital espera das soluções de TI. Terei a satisfação em participar desta discussão com grandes hospitais representados por seus CIOs e também pelo principais fornecedores de tecnologia de informação para o mercado. Assim, levarei a este debate não apenas minhas considerações, mas as contribuições de todos. Portanto, peço que enviem suas críticas, contribuições e necessidades a partir desta minha saudável provocação.

Para começar a discussão estou trazendo algumas considerações que Michael Porter fez neste mês num artigo onde questiona, entre outros temas, como a tecnologia de informação, nos Estados Unidos, tem tornado difícil a integração do cuidado e a melhoria da entrega de valor aos pacientes (http://blogs.hbr.org/2013/09/why-health-care-is-stuck-and-how-to-fix-it/).

Primeira referência é aos prestadores. Ele pontua que a maioria dos sistemas tem sido desenhada ao entorno das especialidades, dos procedimentos ou dos locais em que os serviços são prestados e focam em agendamentos e cobranças por procedimentos. Poucos sistemas são desenhados para seguir um paciente em todo o ciclo de cuidado e prover a todos os prestadores de serviços envolvidos, uma informação abrangente sobre o paciente.

Além disso, ele vai mais longe quando coloca que pouco ou nenhum dos médicos envolvidos no cuidado de um paciente tem informação completa e que os sistemas de informação também podem tornar quase impossível coletar informações sobre os desfechos que realmente importam. Por exemplo, dados que são relevantes (como quedas em ambiente hospitalar) não são capturados em muitos prontuários eletrônicos, e muitas informações de desfechos são encontradas apenas nas anotações dos médicos em campos de textos livres, o que torna muito difícil a extração e análise.

Quando ele extrapola para os planos de saúde, fala que os sistemas não estão melhores e até piores. Eles são desenhados para adjudicar e pagar contas para serviços individuais que não medem o cuidado geral e o valor por paciente. Porter vai mais longe quando afirma que muitos planos de saúde não conseguem nem capturar se o paciente está vivo ou morto!

Hoje quando discutimos a reforma do modelo de remuneração, por exemplo, é fácil ver os prestadores e pagadores desistirem deste caminho, pois alegam a dificuldade em ter dados adequados e consistentes até para uma análise preliminar.

Trazendo para nossa realidade, temos observado algo semelhante em projetos de avaliação de desempenho de médicos do corpo clínico de hospitais e mesmo de profissionais credenciados ou cooperados de planos de saúde. Os indicadores analisados, embora importantes, são simples perto do que poderia ter analisado.

Para poder entender o que está acontecendo, utilizamos de ferramentas e técnicas de Business Analytics para buscar os dados em diferentes sistemas e planilhas. O esforço é tremendo para gerar indicadores de desempenho que sejam relevantes, sólidos cientificamente e válidos. Num hospital de alta complexidade, por exemplo, já vimos mais de uma dezena de sistemas instalados, além do uso intenso de planilhas eletrônicas que, de alguma forma, fornecem dados para a gestão.

Realmente não adianta focarmos apenas nos processo de trabalho se carecemos de estrutura e adequada coleta dos dados relevantes. O desafio é fazer entender quais dados são relevantes. O ponto que Porter enfatiza em outro artigo, está em ter claro qual é realmente o objetivo da saúde. Hoje os objetivos estão desalinhados com a necessidade. Objetivos muito restritos como melhoria de acesso, redução de custos e aumento dos lucros tem sido uma distração para o que realmente importa. (The strategy that will fix healthcare, Michael Porter, HBR Oct 2013).

Ele aponta que, em saúde, o objetivo mais abrangente, tanto para os prestadores como para todos os stackeholders, devem ser melhorar o valor para os pacientes. Valor é definido como resultados de saúde atingidos, que realmente importam aos pacientes, em relação aos custos de atingir estes resultados.

Aí a provocação é maior. Na teoria da demanda, os fornecedores disponibilizam aquilo que o mercado demanda. Portanto, se realmente temos esta situação colocada por Porter, será que a responsabilidade não é do mercado que consome? Por que o mercado demanda uma solução que não atinge o objetivo mais abrangente da saúde? Além destas questões, outras serão trazidas a tona para esquentar a discussão. Aguardo a contribuição de vocês!

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