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A origem das redes sociais de saúde

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Como todos sabem, desde o boom da web 2.0 as mais diferentes verticais de negócio encontraram aplicação para as novas formas de colaboração que surgiram no universo sem fim da internet.

Como resultado, as conexões sociais se tornaram onipresentes em nosso dia-a-dia. Quando lemos uma notícia no News Feed, quando dirigimos um automóvel com o Waze, quando fazemos uma compra na Amazon – e até quando rezamos – as conexões estão ali, presentes.

Não demorou para que surgisse nesse social graph uma grande variedade de redes sociais de saúde (para saber mais leia meu artigo 7 redes sociais que você precisa conhecer aqui no SB365) e com elas um frisson naqueles que gostam de estar sempre por dentro da última moda digital.

O que poucos sabem, entretanto é que redes sociais de saúde não são uma moda criada por engenheiros do Vale do Silício. Na verdade elas foram criadas muito antes que a grande maioria deles existissem. Elas nasceram no começo do anos 60.

De fato elas surgiram da constatação de cientistas sociais norte-americanos de que o desenvolvimento de algumas condições de saúde estavam relacionadas ao grupo social no qual as pessoas estavam inseridas.

Assim muitos estudos de avaliação de risco em saúde, que eram realizados de forma presencial e baseados no preenchimento de fichas em papel, passaram a levar em conta informações sobre as pessoas com quem o paciente se relacionava.

Num desses primeiros estudos, pedia-se para que crianças de 6 a 12 anos descrevessem com quem se relacionavam na escola e que tipo de relação mantinham com essas pessoas. Quem eram seus melhores amigos, quem eram seus colegas, quem consideravam um líder e assim por diante.

Após isso, repetia-se as mesmas perguntas para cada um dos citados nas respostas e com base naqueles dados construíam-se de forma manual enormes sociogramas (parecidos com esse da ilustração) representando visualmente aquela rede. A idéia ali era comprovar que crianças mais populares e com mais amigos eram mentalmente e fisicamente mais saudáveis.

Esse tipo de abordagem se deu de certa forma em contraste com uma tendência muito forte na época que preconizava que os resultados de uma pesquisa seriam tanto melhores quanto mais randomizados (por definição, menos relacionáveis).

Discussões teóricas à parte, o boom dessas técnicas naquele período começou a impulsionar a criação de unidades de medida de redes sociais e também seus diversos tipos e aplicações. A essa ciência se deu o nome de sociometria.

Com o surgimento da sociometria termos-chave como nós, pontes, densidade e centralidade passaram a fazer parte do dia-a-dia de quem trabalhava com aquela nova forma de ver as coisas. Igualmente alguns padrões de redes sociais começaram a ser conhecidos e estudados, como as small world networks e scale free networks.

Muitas patologias, desde então, já foram analisadas à luz das estruturas de redes sociais, como a AIDS, abuso de drogas, tabagismo, suicídio, obesidade, uso de contraceptivos, dentre outros.

Da mesma forma a indústria farmacêutica já vem utilizando os princípios de difusão de inovação em redes sociais – desde aquela época – para identificar opinion leaders entre os prescritores de medicamento.

Com tudo isso é possível se afirmar que o desenvolvimento da análise de redes sociais – e cujos fundamentos são aplicados até hoje por empresas como Facebook , Twitter e LinkedIn – devem uma parcela de crédito ao setor de saúde, que foi um dos pioneiros em sua adoção.

A novidade é que hoje novas tecnologias estão acelerando, barateando e dando maior escala para esses mesmos fundamentos que já existem há quase 50 anos.

Atualmente existem dezenas de softwares disponíveis para apoiar a análise de redes sociais, mas não devemos esquecer que essa tarefa começou a ser feita manualmente no século passado.

Se você se interessa pelo assunto, busque estudos e livros publicados nos anos 60, 70 e 80 sobre o tema e irá se espantar com as preciosidades que irá encontrar no caminho. I really treasure my collection!

Da próxima vez que ouvir expressões como social healthcare e crowd health saiba que elas se referem apenas a um novo jeito de fazer as coisas. As bases desses movimentos, entretanto, não mudaram com o tempo.

Estamos apenas pavimentando um caminho que foi aberto – sem o efeito midiático do Vale do Silício – mas com muita seriedade e dedicação por heróis da saúde no passado.

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