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A medicina veterinária brasileira tem hospitalistas. Muitos hospitais para humanos que pensam ter, não têm.

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O conceito ainda gera muita confusão. Mas vejam que interessante o que encontrei em experiência [literalmente] no mundo animal…

Sempre tive cães. Entre os atuais há uma cadela da raça Golden Retriver chamada Mel. Recentemente, encontrei Mel prostrada e com o abdômen distendido. Entrei em contato com sua médica veterinária, Dra. Marilene, que a atende desde o nascimento (está agora com quase 10 anos de idade). Era domingo, orientou-me a procurar hospital veterinário com o qual tem parceria (na verdade, um hospital da mesma rede para a qual trabalha em consultório). Lá, Mel foi avaliada pela Dra. Adriana, e internada sob sua responsabilidade maior. Recebeu o diagnóstico de piometra (infecção uterina) e fui informado que na manhã seguinte seria operada. Do momento da internação até a alta hospitalar, foi a Dra. Adriana que coordenou o cuidado, embora não tenha participado da cirurgia, realizada por equipe especializada. Na segunda-feira, encontrei Marilene no hospital. Estava nitidamente para uma visita social – e foi muito gratificante tê-la por perto. Comentou que trabalhavam em time (ela e o pessoal do hospital), porque não tinha condições de dar o atendimento que a maioria dos animais que necessitam de hospitalização demanda. De qualquer forma, conversei com a Dra. Adriana, naquele e nos demais dias até a alta. Diariamente eu recebia mensagens inbox via Facebook da Marilene, comentando que já sabia que eu havia conversado com Adriana, e que só queria dividir a felicidade por estar a Mel evoluindo satisfatoriamente aos cuidados da colega. Pequenos atos cheios de significados muito positivos. No dia da alta, cuja previsão foi dada no anterior para que eu pudesse me organizar, liguei questionando sobre o horário. Informaram que poderia ser qualquer hora, mas que o ideal seria em que a Dra. Adriana estivesse por lá. Ficou evidente que a organização importava-se com esta etapa tão banalizada até mesmo em hospitais para humanos. Dra Adriana, a hospitalista, apresentou-me todas as informações pertinentes ao momento de transição e, ao final, seu telefone pessoal. Enquanto eu silenciosamente pensava que não era necessário, pois eu voltaria com a Mel para a Marilene, ela tratou de interromper e explicar: “sua médica veterinária é a Dra. Marilene. Fica este número para qualquer urgência, dentro do prazo de uma semana. Aqui você tem ainda o número do hospital, que funciona 24hs, mas sentindo necessidade maior e relacionada estritamente à nossa internação, sinta-se a vontade para ligar diretamente para mim e a qualquer hora”. Mande um abraço para a Marilene, disse ela, finalizando.

Uma pequena aula prática do que é o modelo com hospitalistas na sua atividade base! Procurei mais detalhes sobre como funcionavam no hospital veterinário, sendo através do que os norte-americanos chamariam de part-time hospitalists + plantonistas tradicionais (para fechar cobertura 24/7). Ainda com muitas quebras de continuidade do processo de cuidado intra-hospitalar, fosse fazer um paralelo com o que eu idealizo para cuidado hospitalar de humanos, mas… enfim… traduzindo um case muito interessante.

Sabemos que na maioria dos nossos hospitais o esperado entrelaçamento entre modelos (com “Marilenes” internando parte de seus pacientes e passando outros) aumenta a complexidade das relações e os desafios. Para saber mais sobre hospitalistas, leiam:

The Hospitalist Model of Care – The Fastest Growing Specialty In Medical History (texto de Robert Wachter, em inglês)

O que é Medicina Hospitalar?

O que não é Medicina Hospitalar, mas pode (porque não reconhecer, deve) andar junto?

O modelo de Medicina Hospitalar e a ética das relações

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