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A criança fumante

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Imagine a cena. Adultos, na rua, fumando e duas crianças de cinco anos se aproximam e pedem fogo. Praticamente todos tiveram a mesma reação e desfilaram motivos contra o tabagismo e, finalmente, ficam desconcertados quando as crianças perguntam, então, por que eles estão fumando. Os pequenos atores entregam uma brochura contra o cigarro para as pessoas abordadas e partem para a próxima ?vítima?. As cenas reais foram filmadas e são parte de uma campanha antitabágica.  A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 16% da população brasileira é fumante. A OMS também calcula que em países desenvolvidos, 26% das mortes masculinas e 9% das mortes femininas podem ser atribuídas ao tabagismo. Desta forma, o tabagismo é importante causa de morte prematura em todo o mundo. De que o cigarro causa um dano _ muitas vezes irreparável _ à saúde do fumante ativo e passivo, a grande maioria das pessoas já está convencida. Os principais riscos são de vários tipos de câncer, doenças cardíacas, respiratórias, cerebrais e impotência. Estes dados são bem disseminados, inclusive são claramente assinalados na própria embalagem do cigarro. Ainda assim, algumas pessoas se escondem na leitura de que é uma decisão própria e não cabe a terceiros interferir. Não é verdade. O problema é de todos, mesmo do não fumante. O cigarro tem mais de 4,7 mil substâncias químicas tóxicas, que são liberadas na atmosfera a cada exalada. Pacotes de cigarros representam mais de 750 milhões de quilos de lixo não biodegradável, muitos deles acabando em rios e lagos. O uso de pesticidas da cultura fumageira e o corte de 600 milhões de árvores anualmente para a confecção dos cigarros, a quantidade de água utilizada no processo e os incêndios causados pelas ?bitucas? são ônus ambiental do tabagismo. E ainda existe o dano econômico. Estudo da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) mostra que o valor gasto com doenças relacionadas ao tabagismo equivale a 30% do orçamento do Ministério da Saúde e é 3,5 vezes maior do que a arrecadação de impostos dos produtos derivados do tabaco no mesmo período. Se evitássemos o consumo de recursos públicos ou privados queimados _ com perdão do trocadilho _ com tabagismo, poderíamos estar investindo em vacinação, infraestrutura e equipes de saúde ou até reduzindo mensalidades de planos de saúde. Tem solução? Atuar no adolescente e adulto jovem tem todo o sentido, uma vez que 80% dos fumantes iniciam o hábito antes dos 18 anos de idade. Justo, também, fomentar alternativas para as 200 mil famílias que dependem da agricultura fumageira. Qualificar equipes interdisciplinares que atuem no dependente químico do cigarro é fundamental. Dar o bom exemplo e investir em educação ainda é a melhor forma de se criar uma geração consciente de sua saúde e da sociedade.

Artigo originalmente publicado na Zero Hora de 29 de agosto de 2013. Dia Naciona de Combate ao Tabagismo.

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