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A arquitetura do edifício que cura

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Você entra num edifício através de um amplo lobby onde uma luz natural vinda de um lindo céu azul o atinge transpassando folhas de palmeiras. Ao seu lado apresentam-se todas as facilidades que você deseja: um profissional de relações públicas faz a acolhida, a loja de conveniências, a cafeteria, uma confortável área de estar ao lado de um jardim circundando um espelho d´água.

Deve estar chegando num aprazível hotel ou mesmo percorrendo as lojas de um ?shopping center? e sente bem neste lugar!

Imagine se estivesse num lugar semelhante a este, prestes a fazer uma cirurgia, uma ressonância magnética ou uma quimioterapia.

Você acha que este contexto lhe proporcionaria maior satisfação pelo atendimento oferecido e contribuiria para melhor recuperação da sua saúde?

– Claro que sim!

Este espaço, que neutraliza a tensão do paciente e a habitual frieza do ambiente de saúde, faz parte de um conceito mais amplo de atenção à saúde: o do Ambiente Terapêutico, ou ?Healing Environment?, onde a estrutura física de uma instituição de Saúde participa e contribui no processo de cura. Este conceito, ainda pouco disseminado no Brasil, trata da tendência mundial que propõe uma importante mudança de foco: não criar uma arquitetura hospitalar e sim uma arquitetura para a saúde.

Esta abordagem propõe a otimização do entorno do cuidado ao paciente, explorando cinco conceitos principais: suporte psicológico, suporte social, senso de controle, distração positiva e distração negativa.

O suporte psicológico envolve o elemento humano e o espaço físico. A proposta é criar ambientes que atenuem medos, dor, perda de controle, incapacidade e até a morte. O espaço para o suporte psicológico se constitui de um ambiente no qual seja possível elevar o moral do paciente e promover sua motivação. O elemento humano nesse suporte é fundamental; toda a equipe profissional deve estar treinada para saber lidar com isso.

O suporte social explora a interação entre paciente, família e amigos, oferecendo espaço adequado para participarem da recuperação. Um hospital deve ter áreas de lazer, como uma praça ou um jardim, onde os acompanhantes possam descansar e relaxar.

O senso de controle oferece condições psicológicas para a sensação de independência do paciente para que não se sinta inútil ou impotente, levando a uma possível depressão. Ele pode controlar o ambiente onde ele se encontra através de um controle remoto para ligar a TV, controlar as persianas, a temperatura e a quantidade de luz no quarto.

A distração positiva envolve a composição do espaço com formas, cores e texturas utilizando inclusive plantas, água, quadros, esculturas e outros objetos de maneira integrada. A criação de ambientes dinâmicos, interativos com o meio-ambiente, estimula os pacientes.

No sentido oposto, é preciso eliminar as distrações negativas, tais como poluição visual, informações indesejáveis, ruídos, aglomeração de pessoas, mobiliário inadequado e desconfortos ergonômicos, térmicos e acústicos, que causam mal estar e amplificam o ?stress? que o paciente já vivencia, inerente às condições de comprometimento da saúde.

Uma série de pesquisas científicas já realizadas comprova que a aplicação destes conceitos traz uma série de benefícios para os pacientes e os demais usuários de qualquer edifício de saúde: recuperações mais rápidas, menores custos com medicamentos (inclusive antidepressivos e analgésicos), redução da solicitação de apoio de enfermagem, elevação do moral dos profissionais da saúde e conseqüentemente mais produtividade e diminuição dos custos de internações.

Como chegar a estes resultados então?

– Alinhavando e manuseando estes conceitos desde o primeiro momento, no nascedouro do projeto, da modelagem do empreendimento como negócio até o último dos detalhes arquitetônicos!

Augusto Guelli é arquiteto da Bross Arquitetura

aguelli@bross.com.br

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