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80% dos hospitais não divulgam seu código de conduta ética

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O Brasil está passando por um dos momentos mais importantes de sua história, no qual a sociedade discute de forma contundente, em todos os níveis e setores, a importância do combate à corrupção como forma de garantir instituições públicas e privadas mais sustentáveis e éticas, no entendimento mais amplo destes termos.

E se em um passado recente, estas discussões pareciam alheias à área da saúde, de certa forma protegido pela incredulidade de que seus representantes poderiam colocar interesses financeiros acima das vidas de pacientes, as denúncias envolvendo o mercado de OPME expuseram uma série de vícios e práticas tão vergonhosas, quanto livres de qualquer movimento prévio significativo que as impedissem de acontecer.

Infelizmente, foi somente a partir dos escândalos que uma fatia importante de médicos, fornecedores, operadoras de saúde e hospitais compreendeu a necessidade  não só de se manter uma conduta ética nas suas relações comerciais (o que, cá entre nós, é obrigação de qualquer profissional, em qualquer setor), mas também de tornar pública a preocupação com a transparência dos negócios que realiza.

Mas, parece que entre a compreensão e a ação efetiva ainda há uma grande lacuna.

O blog pesquisou as homepages dos 50 hospitais privados mais importantes do país buscando identificar as instituições que, de forma clara e aberta, apresentavam em seu site o acesso ao código de conduta que rege o comportamento de seus colaboradores e parceiros na execução de atividades ligadas ao seu negócio.

O intuito do levantamento era medir o grau de atenção que a nata do setor hospitalar brasileiro vem concedendo à transparência das ações de seus representantes e à propagação de práticas éticas e sustentáveis, alheias às questões médicas e assistenciais. Além disso, a pesquisa quis apurar o nível de acesso da sociedade ao entendimento dos hospitais sobre temas relevantes como o conflito de interesses ou o recebimento de suborno.

O resultado surpreendeu. Do total de hospitais pesquisados, somente 20% disponibiliza seu manual de conduta à sua comunidade de relacionamento, em uma atitude que demonstra iniciativa positiva, preventiva e sensível ao atual cenário eticamente delicado na área da saúde.

Por outro lado, o fato de 4/5 dos hospitais de referência no país não manifestarem publicamente um documento que cite regras para o recebimento de brindes por seus funcionários ou, ainda, que formalize um canal anônimo para denúncias, faz surgir na  sociedade uma dúvida bastante pertinente em tempos de combate à corrupção:  as diretrizes de conduta dos profissionais dos hospitais não estão divulgadas ou, simplesmente, não existem?

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