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7 maneiras simples e baratas de usar a tecnologia para melhorar a saúde

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O sub-financiamento crônico da saúde no Brasil não é novidade para ninguém. O país gasta no setor cerca de 9% do PIB, o que dá um montante por cidadão de cerca de $1.00 dólares/ano, bem abaixo do praticado pelos países desenvolvidos. É preciso gastar mais, melhorar a gestão, e claro, acabar com os desvios oriundos da corrupção. Mas além disso, existem ações baratas e eficientes que podem ser implementadas utilizando a tecnologia para melhorar a saúde das pessoas, vamos falar um pouco sobre elas.

  1. Aplicativos com foco em saúde comportamental. Todo mundo sabe que hábitos de vida tem uma influência importante na saúde. As causas mais comuns de morte, cardiovasculares e vários tipos de câncer, estão relacionadas a hábitos como por exemplo má alimentação, bebidas alcóolicas, cigarro e falta de atividade física. Aplicativos que podem ser usados no celular são uma forma comprovada de ajudar as pessoas a adotar e manter um estilo de vida mais saudável. Um exemplo desse tipo de aplicativo é o Omada Health, um programa de 16 semanas que ajuda as pessoas a mudarem seus hábitos diminuindo o risco de diabetes e hipertensão.
  2. Gamification com foco em saúde para educar crianças. É um fato hoje que as crianças tem passado uma parte importante do tempo em frente as telas do celular, tablet e computador. Uma forma de usar essa tendência em benefício da saúde tanto física quanto mental das crianças é criando jogos educativos. Brincando elas podem aprender a cuidar melhor de si mesmas e ainda se tornarem multiplicadoras, ajudando amigos e familiares a fazerem o mesmo. O aplicativo Digital Compass, por exemplo, é um jogo desenvolvido para crianças e que ajuda a enfrentar problemas de relacionamento na escola cujo modelo pode ser replicado para diversas áreas da saúde.
  3. Telemedicina para levar especialistas a regiões remotas. Se já é dificil levar médicos e profissionais de saúde generalistas para atender em regiões mais remotas do Brasil, essa dificuldade é muito maior quando estamos falando de especialistas. Porque não então usar a internet para conectar pediatras e clínicos generalistas com especialistas dos grandes centros? Esses especialistas poderiam inclusive trabalhar de casa (o que seria excelente para médicas com filhos pequenos, por exemplo) auxiliando colegas em regiões mais distantes. Um modelo de sucesso de uso da telemedicina para salvar vidas está sendo desenvolvido em cardiologia pediátrica na Paraíba e pode ser replicado em várias áreas da medicina
  4. Monitoramento em tempo real de ocorrências para localização de ambulâncias. Nos principais centros urbanos hoje quase todo mundo usa aplicativos como o Waze para diminuir o tempo de trânsito. Um sistema semelhante poderia ser desenvolvido para localizar estrategicamente as ambulâncias da cidade ganhando tempo que pode significar vidas. Com a tecnologia podemos facilmente identificar as regiões da cidade onde tem acontecido um número alto de ocorrências médicas e localizar as ambulâncias perto delas.
  5. Educar para saúde usando a internet. Atualmente os jovens de 13-24 anos gastam mais tempo assistindo o Youtube do que as TVs tradicionais. Produzir conteúdo para o Youtube é muito mais barato do que para a TV tradicional. Porque não fazer parcerias com Youtubers conhecidos pela juventude para orientar a respeito de hábitos de vida saudáveis, sexo seguro, prevenção de uso de drogas e abuso de bebidas alcóolicas?
  6. Financiar pequenos empreendedores interessados em inovar na área da saúde. Problemas de saúde normalmente são melhor solucionados localmente, com ferramentas nacionais. O governo poderia promover a inovação oferecendo linhas de crédito mais baratas através de aceleradoras ou incubadoras com o objetivo de fomentar o empreendedorismo inovador na área da saúde.  Outra maneira de fazer isso, seria concedendo algum tipo de benefício fiscal para empresas que fizessem investimentos nesses empreendedores iniciantes.
  7. Divulgação em tempo real do tempo de espera nos locais de Pronto Atendimento públicos. A não ser que seja um caso gravíssimo com perigo de morte iminente, a regra são horas e horas de espera para conseguir ser atendido no pronto socorro, mesmo na rede privada. Com isso, as pessoas na fila acabam sendo expostas a outros doentes, inclusive portadores de doenças contagiosas. Além do desconforto da sala de espera. Não seria simples criar um site em que as pessoas pudessem consultar o tempo de espera no PS em tempo real e até abrir ficha e esperar em casa até o horário próximo ao atendimento? Melhor ainda, se pessoas fossem orientadas a distância por uma equipe qualificada que pudesse inclusive agendar uma consulta na rede básica para os casos que não são necessários atendimento na urgência.

Essas são ideias simples, de fácil implementação e que podem melhorar os resultados da saúde. Claro que eles não esgotam o tema, existem várias outras formas simples de usar a tecnologia em benefício da medicina. É hora de pensarmos em soluções criativas, já que as caras estão cada vez menos disponíveis. Convido vocês então a pensarem em outras ideias como essas para melhorar a saúde dos brasileiros.

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