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4 países reunidos pela Medicina Hospitalar

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Bastante positivos foram os resultados do primeiro encontro oficial da Argentina sobre Medicina Hospitalar. A organização local foi por conta de Daniel Grassi, chefe do Serviço de Medicina Interna do Hospital Universitário Austral, Roberto Martinez, internista e diretor médico do Hospital Italiano de La Plata, e colega internista do Hospital Italiano de Buenos Aires. Com suporte da diretoria da Pan American Society of Hospitalists (PASHA) e colaboradores, reunimos quatro países em charmoso hospital de Pilar, província de Buenos Aires. Estiveram presentes representantes de Argentina, Brasil, Chile e Estados Unidos.

No primeiro dia, 23/09/2011, após abertura do evento, que contou com a participação minha, de James Newman, hospitalista da Mayo Clinic e presidente emérito da PASHA, e de Eduardo Schnitzler, diretor do Hospital Universitário Austral. Newman apresentou sua clássica palestra sobre princípios e fundamentos da Medicina Hospitalar. Em seguida, hospitalistas de Argentina, Estados Unidos e Chile demonstraram experiências em prevenção de tromboembolismo venoso, comparando práticas e resultados. Cuidados paliativos, segurança do paciente e transição do cuidado foram outros assuntos abordados. Aproveito para destacar a participação de Lucas Santos Zambon, brasileiro e diretor da PASHA, que falou de segurança do paciente, e o caráter multinacional de várias mesas.

No dia 24, o principal destaque individual foi Neil Winawer, hospitalista do Grady Memorial Hospital, de Atlanta, e editor do Journal Watch Hospital Medicine. Winawer abordou o tão prevalente Delirium e fez ainda a sua já clássica apresentação intitulada Update in Hospital Medicine, onde faz um apanhado dos principais artigos destacados no Journal Watch, valorosa fonte de informação médica mastigada do grupo do New England Journal of Medicine, selecionando o que de mais relevante para hospitalistas foi publicado nos meses antecedentes à atividade. Esteve em pauta também o papel do farmacêutico clínico atuando em enfermarias e como a parceria com hospitalistas pode proporcionar um salto de qualidade.  Ao final do dia, discutimos de maneira mais informal o movimento de hospitalistas na América do Sul e os próximos passos da PASHA.

Dr. Manuel Klein, Presidente de La Sociedad Argentina de Medicina, apresentou dados que na sua visão amparam a ideia de que sua entidade deve investir nos hospitalistas. Aplicou um questionário em médicos internistas argentinos e obteve resposta de 450 colegas. Identificou que a imensa maioria dos internistas de lá trabalha de alguma forma com pacientes hospitalizados, sendo que muitos deles se consideram experts nisto e têm simpatia por nosso movimento, embora não seja possível garantir que tenham respondido possuindo o conhecimento ideal acerca do modelo. De qualquer forma, Klein pôde encontrar também um percentual distante de insignificativo de médicos com dedicação exclusiva a um hospital (ou quase), atuando com pacientes próprios, além de como consultores. É assim no Hospital Universitário Austral, privado, que nasceu em 2000 com a Medicina Interna em posição central. Antes de se apresentarem como hospitalistas, os clínicos de lá que atuam dedicados se intitulavam “coordenadores do cuidado”.

Se o modelo tradicional (de passar visita) ainda prepondera na Argentina, sendo a atuação exclusiva em hospital considerada difícil pela remuneração insuficiente por muitos internistas argentinos, parece não ser comum entre eles o trabalho em muitos hospitais diferentes por um único médico, o que é uma vantagem em relação a nós para adoção do modelo. Outro dado interessante de lá é que já faz alguns anos que hospitais privados ganham um valor fixo por diagnóstico dos planos de saúde, e esta participação no risco tem gerado incentivos para a contratação de médicos clínicos, além de busca e recompensa por eficiência.

Em relação ao futuro da PASHA, combinamos a realização de novo evento no Chile em 2012/2013 e será feito um esforço para viabilizar aproximação com internistas do Uruguai e quem sabe um evento lá dois anos após. 2016 ou 2017 seriam alternativas para um novo evento no Brasil, momento onde estaríamos comemorando 10 anos do primeiro evento oficial brasileiro sobre Medicina Hospitalar.

O evento de Pilar teve algumas características adicionais que consideramos relevante divulgar. De natureza transdisciplinar, envolveu clínicos e outros profissionais como enfermeiros e farmacêuticos, além de gestores e representantes da alta direção de diversas instituições argentinas. Partindo de uma ótica assistencial, buscou-se sempre uma aproximação com a lógica adminstrativa. Isto se deu sob olhar atento dos gestores (alguns escancaradamente orgulhosos), mas através do protagonismo de profissionais da linha de frente, estratégia que nos parece importante para promover talentos e inovação de onde os resultados para o paciente realmente brotam, por mais importante que seja a Gestão para preparação, controle e aprimoramento do que na ponta se faz.

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