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2016 – O ano do reboot da saúde brasileira!

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Sim, tem muita gente reclamando de 2016, mas o engraçado é que a maioria dos reclamantes que conheço falam porque ouviram notícias ruins.

Estranho: não perderam emprego, não reduziram seu padrão de vida …

Se você estiver na Cidade de São Paulo hoje vai perceber que a cidade está vazia. As praias estão lotadas. Que crise é essa ?

Vou apanhar muito por escrever o que vem a seguir, mas acho que vale a pena demonstrar que as moedas vão continuar tendo “cara e coroa”.

Sabe quando o computador está “meio confuso” e a gente “dá um boot nele”?

Então: aconteceu isso com a saúde em 2016.

2016 foi um dos melhores anos da história do Brasil, porque seja lá qual for a ideologia de cada um, o que vai ficar é um ano em que os escândalos de corrupção afloraram definitivamente mostrando que temos muito dinheiro para resolver nossos problemas. Os valores das negociatas, dos acordos, do que alguns partidos chamam de doação legal, e do que ainda nem foi divulgado na mídia são astronômicos … o Brasil é o país mais viável do mundo – não podemos duvidar disso !!!

2016 mostrou que quando falta dinheiro para comprar dipirona, ou para contratar médicos, não é porque não existe verba necessária: definitivamente 2016 prova que os governos (em qualquer instância, de qualquer partido, em qualquer período histórico) arrecada muito para gastar com coisas fúteis (ou ilegais), e não aplica naquilo que deveria – o dinheiro não chega onde deve chegar.

A saúde pública se divide em antes e depois de 2016. Pela primeira vez desde que estou no segmento, vejo governos publicando planos de maior controle os gastos. Pela primeira vez vejo iniciativas reais de investimento em gestão hospitalar – investimento em gestão em saúde pública já tive oportunidade de ver, mas em gestão hospitalar púbica, de forma consistente, é a primeira vez.

Em 2016, como diriam lá naquela cidadezinha do interior, “a água bateu na garganta”, obrigando os governos a planejar 2017 de forma mais criteriosa. Pela primeira vez estamos vendo “a luz no fim do túnel”: como não tem dinheiro para ficar inaugurando novos serviços de saúde que nunca funcionam, estamos vendo os governos se preocupando em fazer funcionar direito o que existe. Posso apostar: este é o caminho – não precisamos de mais equipamentos públicos de saúde, o que necessitamos é simplesmente que os que existem realmente funcionem. Conheço dezenas de leitos fechados em hospitais públicos – não falta leito – falta gente e insumos para fazer funcionar.

Na Saúde Suplementar em 2016 pela primeira vez na história reduziu a quantidade de beneficiários. É evidente que isso não é bom, mas “o outro lado da moeda” é que operadoras, serviços de saúde, corretoras, profissionais de saúde … todos … pela primeira vez tiveram que se preocupar em melhorar seu modelo de gestão.

Enquanto crescia o número de beneficiários era fácil esconder a ineficiência – agora não!
Tem que faturar melhor, tem que auditar melhor, tem que reduzir custo, tem que avaliar melhor o parceiro comercial … tem que fazer tudo o que sempre deveria ter feito, mas a gordura permitia que não fizesse.

A Saúde Suplementar também se divide em antes e depois de 2016.

Este ano fantástico “sacramentou” mudanças de paradigmas que os mais conceituados “experts” da saúde não acreditavam ser viável, e também “sacramentou” práticas que eram sugeridas, mas “não emplacavam”.

Os exemplos são indiscutíveis:

Vimos uma operadora de planos de saúde, no meio da crise, expandindo geometricamente em um modelo de negócios que dá foco em idoso. “Nadando de braçada contra a corrente”, desafiando a métrica de que cliente velho na saúde é prejuízo certo;

Vimos a expansão das redes de hospitais. Aumentando seu poder de negociação, e reduzindo custos de retaguarda, “não deram bola para a crise” e projetam expansão ainda maior em 2017. Os hospitais que não são de rede, mesmo os mais renomados, estão sentindo que se não “pegarem” esta onda, vão acabar agonizando no mercado;

E vimos diversas entidades filantrópicas alugando parte das suas instalações vazias para empresas que lotam imediatamente as vagas porque têm capacidade de gestão infinitamente melhor.

Um velho ditado diz que “é na dificuldade que descobre quem tem competência”. O que estamos vendo é “um monte de gente incompetente reclamando”, mas existe também “um monte de gente bem preparada vendendo lenço para os que estão chorando”.

2016 marcou definitivamente a história brasileira – abriu as portas para outras importantes mudanças. Se tivermos juízo e não confundirmos política com ações sociais verdadeiras, em poucos anos vamos estar em um país muito melhor, com mais justiça, melhor qualidade de vida e, principalmente, mais assistência na saúde.

Nesta época costumamos fazer votos para o ano novo. Vou pedir licença e fazer os meus, desejando que em 2017:

O governo tome coragem e resolva o problema do OPME na saúde. Não é possível continuar com preços diferentes para o mesmo OPME “dependendo do caso”, com preços que podem variar em até 1.000 %;
O governo não aplique mais um golpe na seguridade social. Primeiro foi a desvinculação do salário mínimo, depois a unificação dos sistemas, depois o fator previdenciário, agora quer aumentar o tempo de contribuição. Não cola. O que arrecada é mais que suficiente para financiar a seguridade social se não ficar gastando com verba de gabinete, verba partidária, e programas sociais que financiam quem não quer trabalhar;

Os governos municipais se limitem a gastar em atenção básica;

Os governos estaduais se limitem a gastar em média e alta complexidade;

A ANS deixe de multar, e saneie (prenda) sócios de operadoras que não cumprem as metas e regras básicas;

A ANS tome coragem e passe a punir severamente operadoras que glosam sem critério, e serviços de saúde que roubam descaradamente nas contas;

Seja criada uma Agencia de proteção ao beneficiário de plano de saúde e o paciente particular, hoje sem qualquer assistência real quando necessita. Ninguém audita contas de pacientes particulares. Quando vejo uma conta de paciente particular não acredito como pode haver gente tão gananciosa no segmento, se aproveitando das pessoas no pior momento que pode existir. Pode parecer “inocência” imaginar que estes votos possam se realizar … mas … quem imaginaria que em 2016 fosse acontecer tudo o que aconteceu no Brasil ?

       
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Comentários

    Muito bem Ênio, bela reflexão. A crise não só trouxe a oportunidade como impulsionou as pessoas e as instituições a “colocarem a mão na massa” e acreditarem! Por outro lado, na área governamental, a coragem e a possibilidade de quebrar o círculo vicioso da corrupção, embora trouxesse muito asco ao ver o tamanho e a engenhosidade da coisa, nos trouxe também a esperança de dias melhores.

    Que 2017 nos aguarde, aguarde a todos nós que acreditamos em nossos valores, em nossas competências e muitas vezes nos fazemos de “sapinhos surdos” para continuar caminhando e vencendo. O ano de 2017 não nos trará nada de graça, mas com certeza levaremos para ele tudo o que temos aprendido e praticado nesta crise que atingiu também a saúde.

    Foto de perfil de Enio Salu

    Oi Junia
    … é isso mesmo
    … para o ano ser bom só depende de pessoas como você que se propõem a fazer alguma coisa para melhorar – se ficarmos na dependência das pessoas que só sabem criticar e nunca se posicionam sugerindo as mudanças vamos ficar eternamente naquela de “o país do futuro”
    … que nunca chega !!!

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