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2016: a importância da gestão do faturamento e dos custos

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Já há alguns anos “eu e meus amigos ranzinzas”, nesta época do ano, demonstramos nosso desânimo com o que aconteceu no ano passado, e projetamos um ano seguinte pior, pela absoluta falta de planejamento global do sistema de financiamento da saúde no Brasil.

Sempre dizemos, este ano que termina só será melhor que o seguinte … e aconteceu novamente.

Alguns números retirados dos cadernos da ANS e do IBGE são assustadores – escolhi os gráficos abaixo para demonstrar minha angústia:

fig1

O % de crescimento de beneficiários na saúde suplementar nos 4 anos formaliza queda. Note-se que ainda não temos o número de 2015 que sabemos será ainda menor. Como os custos com a assistência médica crescem conforme a idade do cidadão se eleva, o sistema foi definido de modo que os mais jovens, que usam pouco o sistema, financiem os mais velhos, que usa muito. Enquanto o volume de adesão era crescente o sistema se auto financiava – com a queda o sistema vai agoniando em colapso (a Unimed Paulistana que o diga).

A queda de beneficiários na Saúde Suplementar aumenta a quantidade de usuários do SUS, que depende de aumento de receita de impostos. Todos sabemos que 2015 foi péssimo para a economia, com retração de captação nos tributos, ou seja, a “mesada” ficou a mesma, e o que vimos: redução de oferta de leitos eletivos em hospitais públicos, redução no fornecimento de leite especial e filas cada vez maiores.

Infelizmente quem se dedica a cuidar da saúde da população está “engessado” pelo cenário político, e pela “enxurrada” de escândalos que “levam da economia para a UTI”. E não aparece um único “cristão” para dizer: briguem à vontade, mas não se esqueçam que saúde, alimentação, educação, segurança e transporte não podem “ficar à mercê” disso tudo.

Quem está pensando em garantir mínimas condições de trabalho para quem “milita” nestas disciplinas ?

Este ano acabou e não temos uma única ação que demonstre que 2016 não seja pior.

fig2

O percentual de crescimento da receita e da contraprestação (despesa básica) das operadoras em 2014 já é ruim, e a tendência ao fechar o número de 2015 e projetar 2016 é de caos.

fig3

A comparação da evolução dos dependentes do SUS em relação a inflação e ao crescimento do PIB demonstra que 2014 foi ruim, e quando fechar 2015 e projetarmos 2016 indica que vai faltar tudo – a única coisa que vai aumentar é a fila !

Se você trabalha em hospital ou operadora de planos de saúde, e está envolvido no planejamento estratégico do ano que vem, segue o conselho de que para tudo que estiver sendo proposto, seja rigoroso ao questionar:

  • Isso aumenta a receita ?
  • Isso preserva a receita (evita que caia) ?
  • Isso reduz custo ?
  • Isso controla o custo (evita que suba) ?

 

Se você não conseguir uma resposta SIM justificável para pelo menos 1 das 4 perguntas, só mantenha isso no plano se for algo imprescindível para o tratamento e segurança do paciente … senão … esqueça – não é hora de pensar nisso !

Todo ano peço que as pessoas que comandam a saúde no Brasil sejam iluminadas – necessitamos muito deles – e neste ano não será diferente: rogo para que surja alguém que consiga tirar a saúde do “engodo” político que se insere, e que consigamos ver pelo menos “a luz no fim do túnel” em 2016 !

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